
Para a realização de um trabalho escrito sobre a controvérsia dos transgênicos para a faculdade comprei o livro Transgênicos: Sementes da discórdia de José Eli da Veiga (que organizou textos de professores e pesquisadores de agronomia e economia da Universidade de São Paulo e da Universidade de Campinas). O livro apresenta opiniões de pesquisadores favoráveis à implantação dos alimentos geneticamente modificados na agricultura (que nada me convenceram, aliás) e de pesquisadores contra o uso destes alimentos.
A discussão que envolve a adoção de organismos geneticamente modificados na agricultura é repleta de controvérsias que são derivadas das incertezas que esta nova tecnologia proporciona. Por mais avançada que a tecnologia genética se apresente, é difícil determinar, por exemplo, uma única função de um único gene sem que isso acarrete efeitos indesejados ou inesperados.
Os organismos geneticamente modificados oferecem uma série de riscos e incertezas sobre sua viabilidade e segurança. Antes de tudo, temos o problema das patentes. Empresas como a Monsanto detêm tecnologias de produção de sementes transgênicas, o que obviamente gera royalties para a companhia para todas as pessoas que compram e utilizam suas sementes. O curioso é que nem os agricultores que plantam sementes convencionais escapam disso. Há diversos casos registrados no Brasil de agricultores que tiveram suas plantações contaminadas por transgênicos (sim, esses tipos de organismos podem “contaminar” organismos nativos através do pólen, por exemplo) e tiveram que pagar direitos à Monsanto. Além disso, já foram registrados mais de 200 casos de contaminação por transgênicos no mundo inteiro. [1]
Até o momento, empresas como a Monsanto têm se beneficiado da contaminação de lavouras e contrabando de sementes. Por que? Vamos pegar o exemplo do Brasil. Aqui, a maior parte do cultivo de transgênicos é representada pela soja e o algodão, ambas entraram ilegalmente no país e foram legalizadas posteriormente (alguma coisa como “a merda já ta feita e não dá pra reverter, então vamos legalizar”).
Estas empresas vendem a sua tecnologia ao mundo como a grande revolução científica dos alimentos. Anunciam ter encontrado a solução para o problema da fome mundial. Mas será mesmo esse o problema? Não! O problema da fome no mundo é uma questão de distribuição de renda, um problema social e não uma questão de produção de alimentos. Ou eles realmente esperam que nós acreditemos que os paises pobres vão poder comprar suas sementes modificadas- que, diga-se de passagem são mais caras que as convencionais? O que se pode esperar de uma empresa que cria um tipo de semente que tem sua segunda geração estéril? E ainda lhe dá o nome de terminator? Ou seja, cria a dependência dos agricultores de comprar suas sementes a cada duas safras.
Propaganda da Monsanto exibida no Brasil em meados de 2004
Leia mais sobre a propaganda e os transgênicos aqui: http://biotech.indymedia.org/or/2004/01/2236.shtml
O Brasil criou uma comissão de avaliação de segurança de organismos geneticamente modificados, a CNTBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), que é encarregado de acessorar o governo federal nas questões de biossegurança e liberar (ou não) os transgênicos para experiências ou uso comercial. Em maio de 2007 havia a pauta da liberação comercial de uma variedade transgênica de milho da empresa Bayer, o Liberty Link. Em 1999 alguns membros da CNTBio se posicinaram sobre o pedido da Bayer. O doutor Manoel Xavier dos Santos, da Emprapa Milho e Sorgo contestou as informações apresentadas pela empresa. Ele alegou estranhar o fato de que o milho tenha sido avaliado em diversos locais e países de clima temperado, enquanto no Brasil sua avaliação ficou restrita a poucos ambientes/anos. O resultado final da avaliação e liberação demonstra a fragilidade e falta de critérios da comissão. Um geneticista declarou em seu voto a favor que “muito embora não relacionado à biossegurança, as avaliações de campo mostraram a perfeita equivalência do milho Liberty Link em comparação com o não-transgênico”. [2]
Posso ainda citar diversos efeitos negativos que os transgênicos apresentaram, dentre eles:
-Grau de contaminação atingiu 9% no Paraná (estado que adotou a política de proibição aos transgênicos) [3]
-Alteração e interações com microorganismos do solo
-Sucetibilidade a patógenos
-Alteração de características reprodutivas das plantas
-Rachadura do caule e menor produtividade da soja transgênica
-Variação nos níveis de expressão da proteína transgênica ao longo do ciclo da cultura
-Impactos negativos sobre insetos não-alvo [4]
Para saber mais sobre os transgênicos e a Monsanto veja o documentário no Youtube: Monsanto: A ameaça dos Transgênicos
Fontes:
[1] Veja www.gmcontaminationregister.org
[2] Transgênicos: Sementes da discórdia, pág. 106
[3] Ministério Público do Paraná, inquérito civil público n.01/2007, cujo objeto é a “investigação de irregularidades no comércio e distribuição de sementes de soja no estado do Paraná”
[4] Idem 2, pág. 93