É assim com tudo, pensei, com todas as coisas do mundo. Enquanto somos crianças, ainda possuímos a capacidade de experimentar intensamente o mundo à nossa volta. Com o passar do tempo, porém, acabamos por nos acostumar com o mundo. Ser criança e se tornar um adulto, pensei, é como embebedar-se de sensações, de experiências sensoriais.
Súbito me senti infinitamente triste por todos nós, seres humanos, que acabamos nos acostumando com uma coisa tão incrível, tão imperscrutável como a vida. Um belo dia acabamos achando evidente o fato de existirmos… e então… bem, só voltamos a pensar que um dia teremos de deixar esse mundo.
Os trechos acima foram retirados do livro “O Dia do Curinga”, de Jostein Gaarder. Para quem não sabe, é o mesmo autor de “O Mundo de Sofia”, seu livro mais famoso. Ganhei um exemplar de um amigo da faculdade que, ao saber da minha paixão pela leitura, me indicava o tempo todo que o lesse. Como a resposta era sempre a mesma – “Caio, eu não tenho mais tempo pra ler, mas prometo que nas férias eu leio, só não me deixe esquecer o título”, ele resolveu me dar de presente de amigo secreto nas férias
. Bom, acabei de terminá-lo (sério, terminei e vim correndo para cá rsrs) e só posso dizer que tenho que agradecer ao meu amigo rsrs.
O tema que o livro aborda é o mesmo de O Mundo de Sofia, que eu já tinha lido há uns dois anos- a beleza da vida, que as pessoas deixam de enxergar com o passar dos anos. Acho que eu estava precisando mesmo ler um livro assim de novo -vai ver é por isso que meu amigo me deu rsrs – pois estou tão acostumada a reclamar da minha vida, e correr pra lá e pra cá cheia de afazeres que eu não presto mais atenção em nada. Só espero que esse sentimento dure até o fim do ano, pois a tendência é eu ficar cada vez mais cansada novamente e deixar de prestar atenção na beleza das coisas.
