
“Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre,
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece,
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?”
Oswaldo Montenegro, A Lista
Quase um ano sem escrever….
Quando foi que deixei de fazer as coisas que sempre gostei de fazer? Será que foi quando entrei na faculdade? Ou quando comecei a vender minha força de trabalho a uma empresa? Ou será que foi quando decidi mergulhar de cabeça nessa rotina maluca e exaustiva?
Durante todo esse tempo vivi coisas maravilhosas, e também momentos ruins, vi acontecimentos polêmicos, tive experiências novas, idéias novas, conheci lugares novos, e deixei tudo isso passar sem escrever nadinha! Não estou mais me reconhecendo…
Quando estive em Londres, em setembro, comprei dois pingentes em uma feira de antiguidades- a Jubilee Market em Covent Garden. Um é um piano e o outro uma máquina de escrever. Tinha decidido usá-los para nunca me deixar esquecer das coisas que me fazem bem. Escrever sempre foi minha paixão, assim como ler, e por isso venho acumulando livros na minha prateleira, que compro empolgadíssima mas nunca tenho tempo para ler. E o piano é uma paixão antiga que estava escondida e eu descobri este ano, e então comecei a ter aulas em fevereiro.
Aliás, a música tem um poder incrível sobre as pessoas. Há dias em que eu estou cansada, de saco cheio de tudo, com vontade de jogar tudo para o alto – inclusive as aulas de piano rs-, mas quando eu chego na casa da professora e começo a tocar é como se todos os meus problemas fossem se tornando cada vez menores a ponto de desaparecer (ou se tornarem infinitesimalmente pequenos que são desprezíveis – kkkkkkk FUV na cabeça XD).
Quando foi que eu deixei de saber o que eu gosto de fazer? Eu gosto de ler, de pesquisar sobre religiões antigas, de escrever, de ler sobre história em geral, de estudar, de aprender coisas novas, de saber…. E há algum tempo deixei de fazer tudo isso. Minha rotina se resume em realizar uma atividade sem sentido, repetitiva, irritante e que não agrega conhecimento para ganhar dinheiro, que eu gasto com coisas que eu não preciso, ou com atividades de lazer para tentar restaurar minha sanidade mental. Chego na faculdade com a mente e o corpo cansados, o que me faz sentir raiva daquele lugar. Mas será que é a universidade que está acabando comigo? Há tantas coisas que eu poderia fazer lá, como pesquisa, assistir a palestras, participar de cursos, ou mesmo de atividades sociais promovidas pelos alunos. O que eu preciso é viver a universidade, afinal de contas eu estudo em uma universidade, e não em uma “facul”.
E aqui estou eu com meu material de álgebra linear espalhado pela mesa, ouvindo Rapsódia sobre um tema de Paganini, música que descobri ao ouvir outra aluna da minha professora tocando. Eu sempre gostei de estudar (é, nerd, e sei), mas pela primeira vez estou de saco cheio. Alguma coisa deve estar errada, alguma coisa está faltando… Tenho novas idéias na minha cabeça, novos desejos, novos interesses. Quem diria que eu iria me interessar por outra área de ciências exatas? Pois é, é o que está acontecendo agora… O desejo repentino de saber, de pesquisar, entender e surpreender-se com a natureza e seus fenômenos.
O que fazer agora? Tenho que me reencontrar, reencontrar meus desejos…
A música que fiquei ouvindo hoje sem parar (a segunda parte é a rapsódia).
(Imagem: Bill Frymire, 2007- segundo a marca no canto inferior esquedo:)
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